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Algumas dúvidas que todo o bancário pode ter neste momento da greve

Entramos na quarta semana de greve e alguns colegas começam a ter dúvidas sobre a greve e a possibilidade de alcançarmos vitórias com a nossa paralisação. Para ajudar a responder essas dúvidas, seguem algumas perguntas e respostas.

1)Com a atual crise econômica, é possível garantir um aumento acima da inflação?
Categorias que estão em setores abalados com a crise econômica conseguiram a reposição da inflação. Inclusive sem fazer greve. Os comerciários conseguiram um aumento de 9,62%, mesmo índice que conseguiram os metalúrgicos de São José dos Campos da GM. O próprio governo federal concedeu reajuste de 12,5% na Bolsa Família. Então, não existe motivo para que o ramo que obtém os maiores lucros da economia não conceda reajuste acima da inflação.

2) A nossa greve está forte?
Nós consideramos a greve forte. No BB, temos vários relatos de que funcionários de nível gerencial aderiram à greve nos últimos dias, e setores como REROP, que nas últimas greves não aderiram, também paralisaram. Na última quinta-feira, o Sindicato de São Paulo fechou a sede dos três principais bancos privados do país. Em Brasília, a Matriz da CEF também foi fechada. Mas não achamos que é a maior greve da história da categoria. Também não temos acordo com o método que a CONTRAF/CUT usa para medir a força da greve, que é simplesmente contar as agências fechadas. Sabemos que existe um efeito positivo com a unidade fechada, tanto no aspecto operacional quanto no fortalecimento da imagem da greve. Mas agências fechadas esconde um problema grave dessa e das últimas greves: os bancários trabalhando escondido e fazendo atendimento seletivo. Também achamos que os sindicatos devem romper os acordos que permitem parte da gerência entrar no interior dos bancos fechados.

3) Gerentes e outros bancários com cargos comissionados podem fazer greve?
Todo comissionado pode e deve fazer greve. A maioria dos bancários tem hoje algum tipo de comissão. Então, não ter comissionados em greve significa não ter greve forte. Nesse sentido, foi muito positivo termos, em várias cidades,  funcionários com nível gerencial aderindo à greve. Temos que generalizar essa adesão por todo o país.

4) Qual a importância das pautas específicas do BB e da CEF?
As pautas específicas são muito importantes. Normalmente, a CONTRAF/CUT dá importância somente para o índice de reajuste. Mas, por exemplo, se a greve terminar com a reposição da inflação e o BB manter a proposta de aumento da contribuição para a CASSI, teremos uma perda salarial de 1%. Além disso, no BB, corremos o risco de no pós-greve termos uma grande reestruturação no banco. Neste sentido, precisamos sair do movimento com proteções em relação às reestruturações. Também temos uma oportunidade nessa campanha de acabar com a injustiça do não pagamento do vale refeição durante a licença maternidade e saúde.

Na CEF, não podemos permitir retrocessos históricos como o fim da PLR Social, fim da incorporação da função com 10 anos e comissionado e o fim da função do caixa. Além disso, temos que exigir mais contratações e o fim da GDP.

5) Esta greve não está se estendendo muito?
A duração da greve não depende de nós, mas da FENABAN. Para conversarmos, precisamos de uma proposta acima da inflação. A nossa greve vai entrar na quarta semana. Não é a mais longa da história da categoria. A de 2013 durou 25 dias, a de 2004 durou 30 dias, mas a história registra greves ainda maiores. É claro que não queremos que a greve se estenda mais, como já dissemos, isso não depende somente de nós. De nossa parte, o que podemos fazer para que a greve não se prolongue é fortalecer o movimento. Quanto mais bancários fora do ponto eletrônico, mais a FENABAN e o governo se sentirão pressionados a negociar.

6) Se a greve for muito longa, não teremos muitos dias para compensar?
A questão dos dias parados não está pré-estabelecida. Depende do acordo que for assinado. Nós, da oposição, achamos que não devemos assinar nenhum acordo que não contenha a anistia dos dias parados, ou seja, sem desconto e sem compensação dos dias parados. Isto porque acreditamos que a greve é um direito e traz conquistas para todos. Infelizmente, os últimos acordos não têm sido assim. Eles preveem a compensação. Mas, por outro lado, não estabelecem a possibilidade de desconto dos dias parados. As horas não compensadas são anistiadas depois de determinada data, estabelecida no acordo coletivo. Muitos colegas não compensaram nada.

7) Haverá desconto no vale refeição em relação aos dias de greve?
Não, o vale não será descontado. A greve é um direito constitucional. Nas últimas paralisações, o BB tem divulgado, como pressão sobre os grevistas, o extrato do Vale Refeição e Alimentação com desconto dos dias parados. Porém, nenhuma vez esse desconto se efetivou. Mesmo assim, esse tipo de pressão é inaceitável. Não nos convence a explicação dada pela direção do banco que a divulgação do extrato é simplesmente um problema de sistema. O banco teve um ano para resolver a questão de sistema e, novamente, se repete nesta greve o problema da divulgação dos extratos.

8) Qual a relação da luta dos bancários com as lutas das outras categorias?
Temos várias lutas e campanhas salariais acontecendo. Nós defendemos a unidade de nossa greve com o conjunto das lutas que acontecem no país. O governo Temer apresenta um pacote de medidas que ataca todos os trabalhadores: limite dos gastos públicos, reforma previdenciária, reforma trabalhista. Por isso, é preciso participar dos dias de luta impulsionados pelas centrais sindicais. Nesse sentido, foi muito importante participar do dia 22 e, agora, nos incorporarmos no dia 29, dia nacional de mobilização convocado pelas centrais sindicais. O dia 29 pode ter um caráter histórico. Pela primeira vez, os metalúrgicos de diferentes centrais se uniram para marcar um dia nacional de paralisação. Essa atuação comum potencializa a greve bancária e ajuda a construir a greve geral, que pode ser o instrumento para impedir a aprovação de todas estas medidas que afetam direitos históricos da classe trabalhadora brasileira.

9) Por que a luta contra o Governo Temer tem que ser parte da nossa greve?
O governo tem um peso muito grande na mesa da FENABAN. Dos 5 bancos que compõem a mesa de negociação, dois são do governo federal. Além disso, o sistema financeiro tem uma ligação umbilical com o governo. Como descrevemos acima, o governo Temer pretende concretizar várias reformas que atacam direitos históricos da classe trabalhadora. Por isso, também temos que colocar a exigência e o enfrentamento ao governo no centro da nossa greve.

10) Como tem sido a atuação da oposição nesta greve?
A oposição tem feito piquetes, trancaços em áreas estratégias, e não tem permitido que nenhum funcionário efetivo ou terceirizado entre no banco. Temos conversado com colegas que não aderiram à greve, explicado que a paralisação é da categoria e que não aderir hoje ao movimento enfraquece a construção de uma alternativa à atual direção do movimento sindical. Ao mesmo tempo, temos cobrado uma atuação mais efetiva dos sindicatos nos piquetes e mais democracia na greve. É um erro ficar períodos longos sem realização de assembleia como está acontece agora em São Paulo, por exemplo.

11) O que podemos fazer para vencermos?
Em primeiro lugar, aderir e continuar em greve. Não existe melhor medida para pressionar os governos do que não entrar no ponto eletrônico. Em segundo, achamos que o sindicato de São Paulo tem que fazer uma convocatória à categoria para fechar o conjunto das concentrações dos bancos em São Paulo. Uma medida dessa sufocaria os bancos mesmo que por um dia. Não existe contingência que possa dar conta de mais de 50.000 bancários parados nos grandes prédios. Isso poderia ser uma medida de força para romper o impasse da mesa de negociação imposta pela FENABAN. Mas, o principal requisito para conseguirmos realmente ter vitórias significativas nessa greve, é a participação dos bancários e bancárias. Quem faz a mobilização é a categoria