banco-em-grave

Fortalecer a greve para avançar nas pautas específicas

Nas últimas campanhas salarias, nós bancários do BB saímos com um gosto amargo. Era possível avançar mais e ter conquistas significativas.

Estamos na terceira semana de greve e, até agora, as negociações não chegaram nem na inflação. Até os comerciários de São Paulo, que estão em um setor da economia que tem uma lucratividade muito inferior aos bancos, e que há muitos anos não fazem greve, conseguiram uma proposta de 9,57% que repõem a inflação. Mas, mesmo que na próxima semana, os banqueiros ofereçam a inflação, na nossa opinião, seria uma proposta que não deveria ser aceita pelos funcionários do BB.

Em primeiro lugar, porque somente uma reposição da inflação, caso o BB aprove seu plano de jogar o déficit da CASSI no bolso dos funcionários, vai resultar em um aumento de 1% abaixo da inflação. Seria um grave erro terminar a greve do BB sem ter uma proposta para a CASSI que responda ao nosso interesse.

Segundo, porque achamos que existe pontos na pauta do BB que podemos conquistar. Hoje, é possível avançar em pontos na pauta de mulheres como a questão do vale refeição durante a licença maternidade. Também teria que ser prioridade da discussão a questão das reestruturações no BB. Não podemos aceitar que todo ano tenhamos um número importante de funcionários prejudicados por causa dos processos de reestruturação. O avanço do BB digital e o discurso de corte de gasto administrativos feito pela diretoria do BB apontam que esse processo deve piorar após a campanha salarial. Por isso precisamos nos antecipar nessa questão.

Fortalecer a greve
Mas para ter conquistas é fundamental ampliar a greve. Nesse sentido, os comissionados jogam um papel importante. Existem três exemplos que nos animam. Em alguns PSOs pelo país têm gerentes parados, e o REROP de São Paulo, núcleo de segurança do banco,  aderiram à greve desde o início, e os colegas da oposição do Distrito Federal conseguiram convencer os colegas do escritório digital a entrar na greve.

Não podemos aceitar as práticas antissindicais do BB. Na sua matriz em Brasília, o banco entrou com pedido de interdito proibitório e, em SP, gasta milhões para garantir contingências. Temos que tentar parar as contingências, manter os piquetes mesmo onde haja interdito e os sindicatos precisam tomar medidas judicias contra essas práticas.

A única coisa que pode garantir que não vai passar um acordo rebaixado como nos últimos anos é a nossa participação na assembleia que vai votar o acordo. Não podemos permitir que quem decida a greve seja quem não participou do movimento, como tem sido nos anos anteriores com as operações feitas pelo sindicato em conjunto com a administração do banco. Temos que lotar as assembleias com grevistas e os gerentes precisam se conscientizar que não podem continuar este triste papel que cumpriram nos últimos anos.

Unificar as lutas
Apesar da CUT não ter feito o menor esforço para unificar as campanhas salariais entre correios , bancários, petroleiros e metalúrgicos, nós vamos ter importantes dias de luta nesse mês. No dia 22, tem atos unificados com paralisação de vários setores da classe trabalhadora. Em SP, os professores estaduais já aprovaram paralisação nesse dia. Podemos fazer um grande ato conjunto. No dia 29, os metalúrgicos aprovaram um dia de paralisação nacional que pode unificar o conjunto das categorias contra as reformas de Temer.

Se ampliarmos a greve, aumentarmos a participação e nos somar às lutas que acontecem no país, podemos não terminar a greve com gosto amargos dos últimos anos.