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O QUE SIGNIFICOU A ERA SÉRGIO ROSA NA PREVI?

Por Ângelo Argondizzi, Conselheiro Fiscal da CASSI, e Juliana Donato, Representante no Conselho de Administração do BB

Os trabalhadores do Banco do Brasil, CEF, Petrobras e Correios veem com apreensão, mais uma vez, seus Fundos de pensão estampados nas páginas policiais dos noticiários. Fundos construídos pelos trabalhadores para que consigam ter uma aposentadoria decente com um mínimo de dignidade. Isto porque o benefício recebido pelos trabalhadores quando aposentados pelo INSS é irrisório, já que o Fator Previdenciário instituído por FHC e mantido por Lula\Dilma retira boa parte do que os aposentados deveriam receber.

Agora, o governo Temer não só mantém o fator como promove mais ataques à aposentadoria através da Reforma da Previdenciária. Esta reforma propõe, entre outros ataques, uma idade mínima para a aposentadoria de 65 anos para homens e mulheres. Michel Temer quer que trabalhemos até morrer.

O capital dos Fundos de pensão é objeto de desejo das grandes corporações da iniciativa privada, e tem um histórico de ingerência dos governos de plantão para promover suas políticas econômicas alinhadas a esses setores. Assim foi na utilização dos principais Fundos do país no processo de privatizações ocorridas na década de 90, quando se juntou o interesse desses dois setores: Governo e Iniciativa Privada. Perde-se o objetivo central da constituição de nossos Fundos. Deixa de garantir nossa aposentadoria para se tornar investidor do grande capital.

No último dia 3, Sérgio Rosa, ex-presidente do maior Fundo de pensão da América Latina, o Previ, foi alvo de condução coercitiva da operação que investiga irregularidades na gestão dos Fundos. A acusação é de que o os pagamentos feitos pela OAS não seriam consultoria, mas pagamento de propina. Os fatos acima simbolizam o naufrágio da política implementada na PREVI na era Sérgio Rosa.

Sérgio exemplifica bem o processo de transformação ocorrida no PT depois de chegar ao governo. Vejamos seu histórico. Foi presidente da CNB (antecessora da CONTRAF) entre 1994 e 2000.  Em 2003, foi presidente da PREVI e assumiu a presidência do Conselho de Administração da Vale. A PREVI também tinha importante participação no conselho de administração da EMBRAER.  No meio da crise econômica do ano 2008/2009, defendeu que essas empresas tinham que se ajustar ao mercado e por isso estavam justificadas as demissões em massa de trabalhadores. Todo o petismo e o mercado exaltavam como grande administrador. Havia várias reportagens que afirmavam que Rosa redesenhou a PREVI e multiplicou de forma estrondosa a sua lucratividade.

Em 2010, no auge desse processo, quando Sergio Rosa estava saindo da presidência, somente a oposição bancária apresentou, através de uma chapa nas eleições da Previ, um programa que contrapunha a política que vinha sendo adotada em nosso Fundo. Naquele momento, nos opúnhamos a política implementada por Sérgio Rosa, afirmando que, ao contrário do que se dizia na grande mídia, nada tinha de genial na sua gestão e que nosso Fundo teria grandes problemas no futuro. Assim, denunciamos o uso político da PREVI, o peso excessivo em renda variável em seus investimentos, os super salários de seus administradores e a falta de transparência nas decisões.

Naquele momento, o Banco, a turma de Valmir Camilo, e a direção majoritária da Articulação (PT) estavam dentro da mesma chapa apoiada por Sérgio Rosa.

Hoje, estamos em plena eleição na Previ e estas forças se separaram. Estão representadas nas candidaturas de Marcio Souza, apoiada pela direção majoritária da CONTRAF, Amir Santos apoiada por Valmir Camilo, e  José Carlos –  Zeca pela direção do Banco.

Para a oposição bancária, a única candidatura que representa as nossas propostas, que já defendíamos nas eleições anteriores, é a de Elaine Michel. Sua candidatura defende o compromisso em lutar para mudar o Estatuto da Previ e para que os associados retomem o controle do seu Fundo. A única candidatura que tem o compromisso de não utilização política da PREVI, e de defesa da transparência com os associados. Para nós, este voto significa a antítese da prática da turma de Sergio Rosa na PREVI.

O apoio à Elaine Michel significa a luta por Fundo que tenha como principal característica a preocupação de pagar nossas aposentadorias, porém, em hipótese alguma, através de investimentos que signifiquem ataque ao patrimônio público e aos direitos de outros trabalhadores

Foto: Agência Brasil