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Assembleia do BB em São Paulo foi um show de horrores

Por Maria Valéria Coelho da Paz (Belela), Cesup S.Paulo, 33 anos de BB e de luta pela categoria.

A assembleia do BB em São Paulo foi uma vergonha! A diretoria do sindicato supera-se a cada dia. A falta de democracia é seu lema.

Ano passado, eu não estive na última assembleia, pois havia operado o pé. Mas soube que houve manobra para impedir a contagem dos votos. A assembleia foi encerrada abruptamente, com cheiro de fraude.

Ontem chamou a atenção a anuência com falta de democracia e, portanto, com a falta de lisura na condução da assembleia.

Lembrei das assembleias do sindicato de Metalúrgicos de São Paulo lá pelos idos de 1978. Eles não deixavam o operário falar. Tinham uma segurança truculenta e um clima policialesco.

Em bancários de São Paulo a coisa é muito parecida. Segurança ostensiva e cadeiras amarradas já são de praxe. Eles protegem-se para fazer as manobras e as fraudes livremente, sem correr riscos. Assim, impedem os bancários de chegar perto do microfone ou da mesa. Eles temem a ira do trabalhador indignado.

Além disso, tem uma claque organizada, à beira do palanque, para fazer provocação com quem não concorda com a diretoria, que atua como se fosse dona do sindicato.

Ontem, a proposta de encaminhamento e a questão de ordem não puderam ser apresentadas. Foi proposto pela mesa que tivessem duas intervenções para cada lado, a favor e contra a continuidade da greve. Mas o sistema de falas foi assim:

– não seriam intercaladas, ou seja, falavam duas pessoas a favor da rejeição do acordo e pela continuidade da greve e, por último, duas pessoas pela aceitação do acordo.

– quem falava primeiro era a oposição porque éramos o contraditório. Eles já haviam apresentado, nos falávamos contra e depois eles ainda rebatiam.

Gente, eu nunca vi nada igual. Foi um cerceamento escandaloso.

A diretoria queria ganhar a assembleia a qualquer custo. A mesa desprezou as regras e o rito de condução de uma assembleia. E com isso, também, desrespeitou os bancários presentes, uma vez que não permitiu o esclarecimento da proposta contrária à oficial.

A proposta da diretoria teve todo o tempo do mundo para ser apresentada e defendida. No início da assembleia, falaram vários diretores com tempo livre. Depois falou um advogado, pago pelos sindicalizados, que teve o objetivo de amedrontar os bancários. Essa abertura durou em torno de uma hora. Foram argumentos jurídicos falaciosos, morais, políticos, entre outros.

Quando abriu para defesa de proposta foi imposto que primeiro falariam as duas colegas da oposição e, por último, os dois colegas que puderam defender sua proposta de recuo e meter o pau nos argumentos das moças que defenderam a continuidade da greve.

É um principio básico o respeito por bancários que são ativistas honestos, dedicados à luta, que não ganham um tostão para fazer sua militância, que trabalham no banco e conhecem o cotidiano da categoria. Respeitá-los é uma questão de civilidade e de democracia. Mas não é isso o que acontece. Não é possível que a opinião discordante da diretoria do sindicato deva ser cerceada e as pessoas maltratadas. Este cerceamento cresce a cada dia, vejamos:

– quem fala por último tem a vantagem de comentar a intervenção do outro. Por teste motivo, antes havia “par ou ímpar” ou sorteio para definir a ordem e assim haver equidade;

– nas polêmicas, sempre as posições diferentes são intercaladas porque é mais esclarecedor, mediante a construção e desconstrução dos argumentos. E também é mais democrático pois existe mais chance para o contra-argumento.

Este final de greve foi uma derrota, pois aprovou o reajuste bianual e um índice inferior à inflação. Mas, além disso, tem a indignação pelo desrespeito ao princípio da equidade e a decepção de ver os bancários, gerentes ou não, convocados ou não, que são indiferentes àquela show antidemocrático e truculento.

O que diretoria do SEEB/SP fez é muito feio. É imoral. E silenciar é lamentável.

Foto: Sindicato dos Bancários de SP