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Dirigentes cutistas e da CTB apresentam a cilada do acordo de 2 anos como um grande negócio

Por Renata Mallet, bancária do Banco do Brasil na Bahia

Dirigentes dos sindicatos, filiados à CUT e à CTB, tentam apresentar a aprovação do acordo de dois anos como um grande negócio.

A declaração do membro do comando nacional e presidente da Federação Bahia e Sergipe, Emanuel Souza de Jesus, evidencia muito bem isso. “O acordo por dois anos, com a garantia de aumento real em 2017, mesmo que pequeno, que foi muito criticado, inclusive por mim no início, acabou nos permitindo forçar o acordo por dois anos também nos acordos específicos dos Bancos Públicos, o que garante também as PLRs sociais distribuídas linearmente, além de todas as cláusulas específicas”, defendeu Emanuel Souza. Mas por que o Comando da CONTRAF/CUT vê com bons olhos o acordo de dois anos para a categoria bancárias?

Na verdade, a partir da greve de 2004, que foi feita contra a direção dos sindicatos e rejeitou o acordo proposto na época, a direção cutista percebeu que não seria possível encerrar as campanhas salariais sem greve. A categoria bancária é a única que fez greve todos os anos desde 2003. Mas os dirigentes cutista e da CTB sempre tentaram mudar esse quadro. Só que também sabiam que uma greve que saísse do controle, como em 2004, era muito pior que uma greve controlada. Por isso, em 2009, levantaram a possibilidade de acordos de dois anos com os bancos. Na época, houve grande rechaço e a direção cutista abriu mão da proposta. Mas nesse ano, se aproveitaram de uma situação de impasse da greve para impor à categoria o acordo de dois anos.

Este acordo nos desarma no momento em que devemos ter uma série de novos ataques, tanto do governo Temer como por parte dos bancos. Os dois anos dificultam a categoria para enfrentar as reformas previdenciária e trabalhista, e também as possíveis reestruturações do próximo período nos bancos públicos. É o pior momento para a gente dar uma trégua de dois anos aos banqueiros e ao governo Temer.

Mas a categoria pode reagir a esse processo. Quando houver ataques, podemos reagir e passar por cima das direções, fazer paralisações e mesmo greves fora da data base. É mais difícil, mas não é impossível. Em segundo, temos que fortalecer a construção das oposições para expulsar a burocracia cutista e da CTB das direções dos sindicatos. Vamos ter eleições em sindicatos importantes, como é o caso de Porto Alegre, São Paulo, Belo Horizonte e Curitiba, no próximo ano. Todos os bancários estão convidados a participar da construção dessas chapas de oposição.