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Presidente do sindicato dos trabalhadores em educação de São Paulo faz ataques machistas às mulheres em congresso da categoria

Por Mulheres Manifestantes do ato de 19/10 no 27º Congresso do SINPEEM

Na última plenária do Congresso do SINPEEM, ocorreu um episódio lamentável de machismo e covardia. Foi negada arbitrariamente uma solicitação de questão de ordem para apresentação de uma moção sobre a participação política das mulheres e enfrentamento ao machismo no sindicato.

Mais uma vez, nossa voz foi silenciada e desqualificada. Valendo-se do controle da mesa e da estrutura do sindicato, foi negada a questão de ordem, garantida pelo regimento.

Com a força coletiva, as mulheres ocuparam o palco para garantir a leitura da moção para a apreciação do plenário, que poderia votar a favor ou contra. Frente a isso, o presidente do sindicato orientou os seguranças particulares a retirarem as manifestantes. Houve truculência e agressões físicas.

Ao mesmo tempo, o presidente incitou o plenário contra a manifestação. Frente às mulheres em luta que questionam as estruturas do sindicato, foi dito: “São essas as professoras que vocês querem que eduquem seus filhos?”, reproduzindo a prática machista que tenta colocar “as mulheres em seu lugar”.

Respondemos: SIM! Somos educadoras que não se curvam ao machismo!

Manifestamos aqui nossa indignação e repúdio a estas atitudes antidemocráticas, autoritárias e violentas. Abaixo o machismo! Abaixo à truculência e à burocratização do sindicato!

Confira abaixo a moção –  Luta Mulher no SIMPEEM – apresentada no Congresso

Considerando:

1) A naturalização do machismo na sociedade, comprovada no aumento dos casos de violência, feminicídios e na cultura do estupro;

2) Que a ideologia machista, racista e lgbtfóbica reforça a superexploração do capital sobre a classe trabalhadora de conjunto;

3) Que na sociedade, 52% da população é mulher, assim como a maioria se declara negra;

4) Que a base do SINPEEM é composta majoritariamente de mulheres;

5) Que, no entanto, de um total de 35 membros da Diretoria do SINPEEM, apenas 17 (48,5%) são mulheres;

6) Que além da sub-representação feminina no Sindicato, crescem atitudes de desqualificação, subestimação e até agressões verbais por parte de dirigentes sindicais sobre Diretoras, Conselheiras e R.E.’s nos Fóruns do SINPEEM;

7) Que o Sindicato não avançou em formação política, sindical e sobre as questões de gênero e raça sobre seus associados;

8) Que as mulheres da categoria vivem uma sobrecarga de trabalho com duplas ou triplas jornadas incluindo o trabalho doméstico;

O 27º Congresso resolve:

1) Que o SINPEEM deixe de tratar pautas de mulheres, negros e LGBTs como sendo de “minorias”, mas como parte indissociável das lutas da categoria;

2) Que toda ação, piada ou subestimação das mulheres nos fóruns do Sindicato sejam repudiadas e combatidas imediatamente;

3) Que se constituam fóruns específicos para apuração e resolução de denúncias de machismo nos fóruns do Sindicato;

4) Que haja espaços de organização e formação ampla para as mulheres da categoria;

5) Que todas as mesas de direção dos fóruns do SINPEEM (Congressos, Diretoria, Conselho, Assembleias e R.E.’s) tenham representação feminina e não tenham posturas desrespeitosas, desqualificadoras, subestimadoras ou de ridicularização das mulheres;

6) Que todos os fóruns do SINPEEM tenham espaços de acolhimento e recreação para as crianças de modo a garantir a participação plena das mulheres e de suas demandas.