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Banco do Brasil anuncia plano de reestruturação

Neste domingo (20), o Banco do Brasil comunicou uma reestruturação que vai afetar milhares de funcionários.  Segundo a nota publicada, serão fechadas 402 agências e 379 transformadas em Posto Avançado de Atendimento (PAA).

O Banco estima uma economia de R$ 750 milhões, sendo R$ 450 milhões decorrentes da nova estrutura organizacional e R$ 300 milhões da redução de gastos com transporte de valores, segurança, locação e condomínios, manutenção de imóveis, entre outras.

Junto com essa medida, o banco anunciou um programa de antecipação de aposentadoria voltado para os 18.000 funcionários que têm condições hoje de se aposentar. Além disso, o plano de função vai ser ampliado. Os assessores das áreas estratégicas do BB poderão aderir ao plano de seis horas, com redução salarial.

A reestruturação demonstra o interesse do Banco de que os funcionários paguem pela crise.  A queda da lucratividade do Banco não se deve ao aumento das despesas administrativas. Mas, sim, ao aumento da inadimplência em razão do financiamento de grandes empresas como OI, Sete Brasil, OAS. Para se ter uma ideia, somente a dívida da OI com o BB chega a 4,4 bilhões. A OI, que se encontra em recuperação judicial, fez uma proposta de renegociação da dívida que estabelece um desconto de 70%. Se aprovada, portanto, o BB ficará com um prejuízo de 3,08 bilhões, mais de 4 vezes o valor que o banco pretende economizar com o fechamento das agências.

No conselho de Administração, Juliana Donato sempre foi contra o crédito para as grandes empresas que hoje são o centro do aumento da inadimplência. A representante dos bancários também se posicionou contra as mudanças na estrutura do banco que levam a uma diminuição das comissões e do número de funcionários.

Mais uma vez, uma reestruturação do banco afetará a vida de milhares de funcionários que terão que se aposentar, perderão comissões ou terão que mudar de cidade para manter suas comissões. A CASSI também terá sua situação financeira afetada. Com a expansão do plano de função com redução salarial e a saída de funcionários mais antigos com o Plano de Antecipação de Aposentadoria, a receita vai cair.

Exigimos que a CONTRAF/CUT indique aos sindicatos uma rodada nacional de assembleias para aprovar um calendário de luta que enfrente a reestruturação.  Nós das oposições vamos realizar reuniões para alavancar a resistência contra a reestruturação. Lutamos por um banco público que forneça crédito para os trabalhadores e para os pequenos produtores, um banco que respeite seus funcionários. Um Banco do Brasil que esteja a serviço da maioria da população.

Neste sentido, é muito importante que os bancários participem do dia nacional de paralisações, mobilizações e greves convocado pelas centrais sindicais para o dia 25 de novembro. A data é parte do calendário de lutas contra as reformas da Previdência e trabalhista, contra a PEC do teto de gastos e a reforma do Ensino Médio (PEC 746), medidas que impõe a conta da crise aos trabalhadores em geral. O plano de reestruturação do Banco do Brasil se insere neste contexto geral de retirada de direitos e política de corte de gastos que jogam nas costas dos trabalhadores a conta da crise. É preciso unidade e resistência para barrar estes planos.