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DIGIO: NOVA PARCERIA ENTRE O BANCO DO BRASIL E O BRADESCO

Por Assessoria do Mandato da Juliana Donato – CAREF – Banco do Brasil

 

Durante o seu mandato no Conselho de Administração do Banco do Brasil, Juliana denunciou, várias vezes, a parceria entre o BB e o Bradesco. Em 2 de dezembro de 2015, denunciamos a criação de um novo banco de investimento, o “Elo”.

Na época, mostramos que essa parceria vem de longa data: “Os acordos começaram em 1995 com a criação da antiga Visanet. A CIELO foi a sucessora da Visanet e passou a ser administrada em conjunto pelo BB e pelo Bradesco. Somente no primeiro trimestre de 2015, a bandeira operou com R$ 126,5 bilhões. No grupo CIELO, há empresas que atuam em várias áreas, desde captura de dados de pagamentos até a automação de pagamentos no setor de saúde. Orizon, Braspag, Caetano são algumas empresas que fazem parte do grupo CIELO”.

A denúncia que a Juliana fez da compra de R$ 5 bilhões em debêntures do Bradesco, que financiaram a compra do HSBC, saiu inclusive na imprensa. Agora, segundo a reportagem publicada pelo Valor Econômico, o BB e o Bradesco vão operar um novo banco digital: o CBSS. O principal produto vai ser o DIGIO, uma plataforma online com um cartão de crédito sem anuidade. O banco vai ter a mesma composição que a maioria das parcerias com o Bradesco: o BB com 49,99% e o Bradesco com 50,01%.

Essa composição acionária, na qual o BB fica com menos de 50%, tem o objetivo de eliminar o concurso para contratação de funcionários, a fiscalização pelo TCU ou pelo Ministério Público, e a licitação para adquirir bens e serviços. Ou seja, a nova parceria não precisará se adequar às regras previstas na Constituição para a administração de empresas de economia mista. Mudou o governo, mas o que não muda é o aprofundamento da parceria BB e Bradesco.

No caso desta nova instituição, a gravidade é ainda maior porque, de acordo com as previsões, as instituições que atuem somente em plataformas digitais devem crescer muito no próximo período. Já existem no mercado outros produtos semelhantes: cartão de crédito que não cobra mensalidade e tem relação com seus clientes somente pela internet.

Se esse tipo de produto vai se multiplicar nos próximos anos, por que não fazer um produto próprio do BB? Por que, cada vez mais, aprofundam-se as ligações entre Bradesco e BB? Se é para fazer pareceria com outra instituição, por que não fazer com a CEF ? A direção do Banco do Brasil e governo federal têm a obrigação de responder a essas perguntas para a sociedade e para os trabalhadores do BB.