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Em defesa da Cassi, vote não!

Por Ronaldo de Moraes Ferreira, Conselheiro Deliberativo da Cassi, eleito pelos funcionários em Abril de 2016

65e7d02a318aaa5d5b3ba7dd6af37d5b_xlMais um vez, estamos sendo chamados para votar em um plebiscito cujo objetivo é jogar parte considerável do atual déficit da Cassi nas costas do funcionalismo. Este mesmo debate ocorreu nas reformas estatutárias de 1996 e na de 2007. Na primeira, a aprovação significou triplicar o percentual de nossa contribuição. Na segunda, o plebiscito introduziu a coparticipação em exames. Nestas duas ocasiões, foi realizada a mesma campanha de chantagem.  Diziam que era necessário aprová-las para salvar a Cassi.

Precisamos tirar as lições do passado. A cada plebiscito contribuímos mais. A cada reforma, o Banco vai se isentando. E o déficit não é sanado. Não há apenas uma alternativa. Não concordamos que o Memorando represente a proposta final. A atual crise econômica afeta muito mais a nós, trabalhadores, do que aos Bancos. Houve uma pequena queda no ritmo de crescimento do lucro, mas o sistema financeiro continua apresentando bilhões de lucro a cada semestre.

Da mesma forma que o governo Temer chantageia a população dizendo que a Reforma da Previdência é a única alternativa para “salvar nossas aposentadorias”, o Banco utiliza a mesma tática com o déficit da Cassi. Infelizmente, no caso da Cassi, conta com o apoio da direção de diversas entidades como a Contraf/CUT.

Não vamos pagar a conta da crise que o Banco criou
Rejeitar esta proposta não significa inviabilizar a Cassi. Há mecanismos previstos pelo Estatuto Social da Cassi (Artigo 25) quando ocorrem exercícios deficitários: que o patrocinador utilize a antecipação de recebíveis para cobrir. Infelizmente, o BB tem se negado a isto, forçando a CASSI a assumir empréstimo junto ao BB, pagando juros de mercado.

Votei NÃO na reunião do Conselho Deliberativo que analisou o Memorando e o plebiscito proposto. Chamo todos os colegas a fazerem o mesmo, lutando por uma nova negociação que preserve o princípio da solidariedade, o investimento no Modelo de Atenção Integral à Saúde e Estratégia Saúde da Família (ESF) e a garantia de atendimento para ativos, aposentados, pensionistas e dependentes.

Por que votar NÃO ?
– Não faz sentido aprovarmos uma proposta que já se mostra insuficiente para zerar a diferença negativa atual . O déficit de julho foi de R$ 49.110 mil. O de agosto, chegou a R$ 69.967 mil. As medidas de aporte totalizam R$ 40.000 mil. Portanto, mesmo aprovando-a, não resolveremos as glosas, os descredenciamentos e a eterna ameaça à perenidade da Cassi.

– No Memorando assinado entre as entidades e o Banco, há várias ameaças. Durante todo o período das negociações, foi afirmado que não haveria alteração estatutária. No memorando, consta essa obrigatoriedade. Há um enorme risco de que esta despesa, ora apresentada como extraordinária, torne-se definitiva, além de insuficiente.

– A proposta de rateio fere a proporção de custeio estabelecida no atual Estatuto, o BB passará a contribuir menos do que 1,5 nossos aportes. Distinto de nossa contribuição, que já foi acrescida com o índice do acordo deste ano,  o valor de responsabilidade do BB  com ressarcimento de despesas continua limitado em R$ 23 milhões. Até o presente momento, não está definido o índice de correção dos “ressarcimentos” do BB.

– Não constam demarcações às sugestões que podem surgir da Consultoria que será contratada. Não há garantias que ela não recomendará, por exemplo, o fim da solidariedade e que em suas propostas venham outras soluções de mercado, ao tratar a Cassi como qualquer outro plano de saúde.

– O motivo do déficit não é porque “pagamos pouco”. No Saúde Caixa, plano dos bancários da Caixa, os empregados contribuem mensalmente com 2% ao mês sobre a remuneração base e pagam uma coparticipação de 20% sobre a utilização do plano, limitada a R$ 2.400 ao ano. O desequilíbrio da Cassi ocorre porque há uma redução significativa da folha de pagamento do Banco. Se observarmos apenas o acordo salarial deste ano, com percentual abaixo da inflação, impôs à Cassi uma perda adicional de 12 milhões/ano. O fato de terem retirado nosso antigo PCS, no qual havia promoção por tempo de serviço de 4% ao ano, aliado às recentes mudanças do Plano de Funções (redução de jornada com redução de salários), é o principal motivo da atual crise. Tudo indica que esta situação irá se agravar à medida em que o Banco propõe reduzir o atual quadro de funcionários e forçar a migração das atuais comissões para a jornada de 6 horas.

O que propomos?
Os que defendem o SIM dizem que esta é a melhor proposta após dois anos de negociação. Infelizmente, perdemos muito tempo, pois as entidades que compuseram a mesa de negociação (Contraf, Contec, Anabb, Fabb) não se empenharam em mobilizar os associados a pressionar o Banco. Distinto do que propúnhamos, a Contraf CUT negou-se a hierarquizar este tema na campanha salarial deste ano.

Ao rejeitar a atual proposta, iremos forçar o BB a voltar à mesa de negociação. A partir daí, precisamos fazer o inverso do processo anterior. Nada se alterará se continuar como uma negociação de portas fechadas. Temos que construir um encontro nacional com a participação de ativos e aposentados para que possamos discutir as diversas saídas de resolução deste déficit. As entidades representativas têm a obrigação de organizar este encontro nacional e apresentar um calendário de lutas. Somente assim, forçaremos o BB a alterar os riscos da atual proposta e construir saídas estruturais à Cassi.

Participe da campanha
Vamos multiplicar a campanha: chamamos todos os colegas que concordem com nossas opiniões a conversar no local de trabalho, a compartilhar nossos textos da OPOSIÇÃO NA CASSI nas redes socias. Votar NÃO é apenas o primeiro passo para forçarmos a retomada das negociações em novo patamar.