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POR QUE O GOVERNO FEDERAL QUER REESTRUTURAR O BANCO DO BRASIL?

Por Assessoria do Mandato da Juliana Donato – CAREF – Banco do Brasil

Vários colegas bancários estão chocados, pois souberam pela televisão que o Banco do Brasil (BB) está fazendo a maior reestruturação desde 2007. Vários colegas não acreditam que, depois de anos dedicados ao banco, vão ser descartados ou vão ter que mudar de cidade, aceitando, muitas vezes, uma função menor.

Em várias áreas do banco, funcionários consideravam-se intocáveis. Mas, alguns setores importantes, como as superintendências, gerências gerais de agência, Gepes, auditorias e diretorias, estão no centro da reestruturação do banco.

Serão fechadas 402 agências e 379 serão transformadas em Posto Avançado de Atendimento (PAA); 31 superintendências também serão fechadas; sobrarão somente 3 gerências de controles internos; outras unidades, como Gepes, PSOs e agências estilo, sofrerão alterações na sua dotação.

A reestruturação em curso é um salto no projeto de banco que foi implementado nos últimos anos pelos governos de Dilma e Lula. As mudanças aplicadas tentam responder a três preocupações do mercado e do governo federal.

Em primeiro lugar, a necessidade de diminuir a queda da lucratividade, pois o lucro do banco está pressionado com explosão da inadimplência, que tem como principal motivo o não pagamento de empréstimos feitos para grandes empresas, como Sete Brasil, OI, OAS. Em segundo, a mudança tecnológica, através da multiplicação do atendimento digital. Por fim, em terceiro lugar, a busca por manter o nível de crédito do período anterior. Por conta da queda da lucratividade do momento atual, o BB e a Caixa Econômica Federal (CEF) terão que receber aportes da União para obedecer aos acordos do sistema financeiro internacional.

A declaração de Paulo Caffarelli ao jornal Valor Econômico, dada ontem, é clara nesse sentido: “O objetivo do BB é também aumentar os índices de capitalização”. Além disso, Caffarelli disse que o BB fixou como meta elevar o chamado capital principal para 9,5% em julho de 2017, bem antes do determinado pelo Acordo de Basiléia 3, que estipulou o prazo de janeiro de 2019. Em setembro, o capital principal do banco estava em 9,07%.

“Se quisermos continuar a crescer, teremos que fazer uma adequação de capital”, declarou Caffarelli, lembrando que, hoje, o BB não vai se valer de aportes de recursos do Tesouro Nacional para cumprir os requisitos de capitalização.

A resultante dessa política é um beco sem saída. A política de crédito do banco, na situação em que o país vive, continuará pressionando o lucro para baixo, pois a inadimplência dos grandes tomadores continuará alta. O banco não terá política para empréstimos aos trabalhadores e aos pequenos agricultores, não cumprindo, portanto, seu papel de banco público.

O atendimento digital beneficiará os setores que têm acesso e hábitos de fazer transações pela internet e, por isso, grande parte da população não terá atendimento nas agências. O Presidente do BB, Paulo Caffarelli, quando fala que a maior parte das transações está sendo feita pelo celular ou pela internet, está falando em volume e não em número de transações.

A política imobilista da CONTRAF/CUT, com os acordos de dois anos e o enfraquecimento da organização sindical, não sofreu nenhuma alteração com a saída do PT do governo federal e, dessa forma, facilita a vida da direção do banco e do novo governo Temer.

A única saída para inverter o jogo é a união do funcionalismo público. Os ataques demonstram que não existem comissões ou setores livres de sofrerem redução ou serem fechados. Somente com uma dura batalha, podemos mudar os rumos do BB e colocá-lo a serviço da maioria da sociedade. Temos que exigir que a CONTRAF/CUT jogue peso na mobilização dos bancários durante o dia 25 de novembro.

Acreditamos que são importantes as iniciativas da Oposição do Rio de Janeiro, que pressionou o sindicato, conseguindo que fosse marcada uma plenária para organizar a luta contra reestruturação, e que deve fazer, no dia 25, um ato que vai parar a entrada de um dos principais prédios do BB na capital carioca. Porém, para mobilização avançar, precisamos de democracia e organização pela base. Nesse sentido, precisamos de uma rodada nacional de assembleias e reuniões dos delegados sindicais em todas as bases.