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“A DIREÇÃO DO BANCO QUER APLICAR O MODELO DAS INSTITUIÇÕES PRIVADAS”, DIZ FUNCIONÁRIA EM ENTREVISTA.

Estamos entrevistando mais uma colega bancária do Banco do Brasil, que também é delegada sindical.

Na página da Juliana Donato, nossa representante no Conselho de Administração, nós temos abordado a situação das agências que vão fechar a partir do plano de reestruturação implementado pela diretoria do banco.

Nessa segunda entrevista, vamos tratar da situação de colegas que trabalham em setores que vão fechar.

 

1 – Você pertence a um setor que será fechado? 

Sim. Atualmente, existem 10 Gerências de Controles Internos. Serão extintas 7 destas, inclusive a do Rio de Janeiro, na qual trabalho.

 

2 – Então o corte afeta a área meio também?

A área meio já vem sendo reestruturada há muitos anos. Desde 2007, ainda no governo Lula, sofremos reestruturações que concentraram a área meio em 3 capitais: BH, Curitiba e, em especial, São Paulo. Assim, ocorreu com as áreas de logística, administração de contratos, área internacional, de segurança etc. A direção do banco quer aplicar o modelo das instituições privadas.

 

3 – Você sabe se vai manter sua comissão e onde vai trabalhar depois da reestruturação?

Como a unidade será extinta, todos os colegas da GECOI perdem as atuais comissões a partir de 01 de fevereiro. Até o momento, não há qualquer definição sobre onde iremos trabalhar. Para manter nossa função, teríamos que concorrer para trabalhar nas 3 GECOIs que permanecerão, nas 3 capitais citadas acima.

 

4 – Você acha que que essas mudanças eram inevitáveis?

Claro que não. No nosso caso, haverá prejuízo dos controles internos do Banco, na medida em que os analistas não poderão mais realizar visitas às dependências, em especial agências, pois as verificações acontecerão à distância. Estas reestruturações acontecem pois há a determinação de redução das despesas administrativas, para atender critérios e anseios do mercado.

 

5 – Como a reestruturação afeta o a papel de banco público?

Fortemente, particularmente pelo fechamento de agências consideradas “deficitárias”. Um banco público não pode ter como seu objetivo precípuo atingir o lucro. Não há porque o BB cumprir o mesmo papel que um Bradesco ou Itaú. O cliente de baixa renda já tem sido expulso das agências, antes desta reestruturação.

 

6 – Você acha que todo esse processo tem somente relação com uma atualização tecnológica?

Não. Os avanços tecnológicos precisam servir para a melhoria das condições de vida da população, e das condições de trabalho. Como o adoecimento da nossa categoria é muito alto, estes avanços deveriam permitir a redução de nossa jornada, sem a redução salarial. Porém, a lógica do capital é utilizar cada avanço tecnológico para extrair, cada vez mais, nosso sangue: fazer mais com menos.

 

7 – O que você acha da atuação do sindicato para enfrentar essa situação?

Os principais sindicatos de bancários são vinculados à Contraf/CUT. Houve duas negociações, até o momento, nas quais não ocorreu qualquer avanço. Para que exista uma negociação de verdade, é necessário dar um salto de qualidade na mobilização. Aqui no Rio, houve paralisação parcial do prédio do SEDAN, paralisação no CCBB e em algumas agências que serão fechadas. Isto é muito pouco. Nós, delegados sindicais da Oposição Bancária, estamos exigindo que os sindicatos convoquem assembleias em todo o país, para que seja votado um calendário nacional de mobilização. Apesar da forte disposição da diretoria do banco em levar a reestruturação até o final, entendemos que é possível e necessário construirmos uma forte resistência. O governo Temer, que é nosso patrão, está fragilizado, envolvido em denúncias de corrupção, com popularidade de 10%, sendo que 63% da população defende sua renúncia. Por isto, é tão importante o tema da unificação das lutas. Entendemos que o ano de 2017 começa com um grande desafio: a construção de uma greve geral, que derrote a Reforma da Previdência e os ataques às empresas públicas.