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O BANCO DO BRASIL NÃO ESTAVA E NEM ESTÁ NO CAMINHO CERTO!

Por Assessoria do Mandato da Juliana Donato – CAREF – Banco do Brasil

 

O Banco do Brasil publicou seu resultado financeiro do quarto trimestre de 2016, 963 milhões de reais, totalizando um lucro de 8,34 bilhões de reais no ano passado. O resultado é uma queda de 61,6% em relação ao quarto trimestre de 2015. Nos últimos três meses de 2016, o Itaú-Unibanco lucrou 5,543 bilhões de reais; o Bradesco, 3,592 bilhões de reais; e o Santander, 1, 989 bilhões.

As despesas com o PEAI impactaram em 1,401 bilhões de reais o lucro do quarto trimestre. Além disso, o resultado do BB sofreu um impacto negativo com a redução da carteira de crédito, que fechou 2016 em 708,059 bilhões de reais, uma redução de 11,3 % em relação a 2015. Os outros bancos diminuíram suas provisões com créditos duvidosos. Em comparação com o trimestre anterior, o Itaú-Unibanco reduziu 8,5% e o Bradesco reduziu 3,8%.

O BB fez o movimento contrário e aumentou as despesas líquidas com provisões para devedores duvidosos, somando 6,636 bilhões de reais nos três últimos meses do ano passado, com uma alta de 9% frente ao trimestre anterior.

O presidente Banco do Brasil, Paulo Caffarelli, em entrevista para imprensa, afirmou que o BB está no caminho certo para alcançar rentabilidade “compatível” com o seu potencial. O caminho correto estaria baseado, para ele, no aumento da receita de tarifas, margem de rentabilidade e redução das despesas administrativas. Isso significaria que os trabalhadores pagariam por esse aumento da rentabilidade, com o aumento do “spread” dos juros cobrados nas operações do BB ou com o aumento das tarifas cobradas pelo banco.

A redução das despesas administrativas significa, principalmente, corte de despesas com o pessoal. Nós todos estamos sofrendo com as consequências dessa política a partir da atual reestruturação do BB. Temos centenas de funcionários efetivos que perderam suas comissões, outros inúmeros que foram obrigados a mudar de cidade para manter seus cargos, terceirizados que foram demitidos, agências que foram fechadas e o maior descomissionamento feito de funcionários desde a época de FHC. Não temos nenhuma certeza de que, nos próximos meses, não teremos um PDV e novos capítulos na reestruturação do BB.

Por outro lado, vemos a CONTRAF/CUT e os sindicatos cutistas afirmando que o banco estava no caminho correto e que, só agora, estamos diante da inversão dessa rota. Mas nisso não é verdade. O centro do banco, nos últimos anos, foi se tornar um grande fornecedor de crédito para as maiores empresas do país. Foram aprovadas súmulas bilionárias para Odebrecht, Vale, Oi, Votorantim, Sete Brasil.

Temos a certeza que o papel dos bancos públicos não é financiar as maiores empresas do país. Porém, além disso, uma parte dessas empresas entraram em recuperação judicial, como é o caso da OAS, Sete Brasil e Oi. Somente os créditos fornecidos para OI e Sete Brasil chegam a 8 bilhões de reais. Não é por acaso que o BB aprovisiona 6,636 bilhões de reais nos últimos meses com provisões para devedores duvidosos.

Em relação ao funcionalismo, a rota também estava no caminho errado, pois não tivemos a reversão dos ataques do governo FHC e tivemos novos ataques, como o fim da substituição. Vários colegas penderam a comissão durante as reestruturações feitas pelos governos Dilma e Lula.

O Banco do Brasil, para cumprir seu papel de banco público, precisa fornecer créditos para os pequenos agricultores, para os trabalhadores, servindo à maioria da população. Não pode ser um banco que, a cada dia, assemelha-se aos privados. Mas, também, tem que ser um banco que não trate os seus trabalhadores como números. Nem no governo Temer nem nos governos do PT o BB traçou um caminho que um banco público deveria percorrer.