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A DECEPÇÃO COM A PLR!

Por Assessoria do Mandato da Juliana Donato – CAREF – Banco do Brasil

 

A decepção com o pagamento da PLR foi geral. A reclamação afetava o assistente, o caixa, o analista, os gerentes gerais… Uma das piores PLR da história do Banco do Brasil. Os comissionados receberam entre 40% e 50% do seu salário como PLR e não foi pago módulos bônus para ninguém. O módulo bônus era parte da PLR que o banco pagava para os funcionários, caso sua unidade cumprisse as metas estabelecidas.

Na última década, o BB implementou uma política na qual o centro da remuneração dos funcionários não passava pelo salário. As comissões e a PLR compuseram a maior parte do salário do bancário. Os cargos mais altos, como gerente executivo e superintendente estadual, chegaram a ganhar quatro vezes seus salário por PLR no semestre. Essa política passava por afirmar que a saída para melhorar suas condições de vida era individual, bastava o bancário vender produto, formar-se e ser obediente ao chefe que ele cresceria na carreira e teria PLR e comissões maiores.

Essa política interessava o banco porque era bem mais barato pagar PLR do que dar aumento de salário. Por outro lado, o banco exerce uma chantagem permanente sobre os funcionários, pelo pagamento da PLR ou com a ameaça constante de retirada das comissões.

A política foi implementada com apoio da CONTRAF/CUT e dos maiores sindicatos do país. A reposição das perdas saiu da pauta e outros itens, como anuênios e isonomia perderam importância na nossa pauta. A CONTRAF/CUT implementava essa política junto com o banco de forma consciente, porque sabia que era uma forma de manter sobre controle as campanhas salariais, evitando que os bancários enfrentassem o governo Lula/Dilma. Todas as greve eram encerradas com materiais afirmando que tinha sido uma vitória histórica da categoria. Os dirigentes da CUT não cansavam de afirmar que a PLR do BB era a melhor do mercado.

Nas campanhas salariais, nós da oposição sempre criticamos duramente essa política. Defendemos que o eixo das nossas campanhas tinha que ser reposição das perdas, isonomia, retomar os direitos perdidos na Era FHC… Sempre tivemos claro que salário ninguém tira da gente.

A respeito da PLR, sempre defendemos que na nossa pauta tivesse a reivindicação que ela fosse linear e que o banco passasse o máximo legal, que é 25% do lucro. Os dirigentes da CONTRAF/CUT sempre defenderam o acordo de PLR do BB, dizendo que era o “melhor do mercado”. Será que, agora, vão continuar falando a mesma coisa?

Infelizmente, o momento atual mostrou como tínhamos razão: a maior reestruturação desde a Era FHC deixou centenas de colegas sem comissão e, agora, temos a pior PLR dos últimos anos. Mais uma vez, a CONTRAF/CUT auxiliou o banco, porque fechou na campanha passada um acordo de dois anos. No momento em que precisaríamos da categoria mais mobilizada para enfrentar os ataques do governo e do banco, não vamos ter campanha salarial.

Não tem outro caminho, vamos ter que fortalecer a luta coletiva da categoria para mudar os rumos dessa história. Além disso, nesse ano, vamos ter eleição em vários sindicatos. Chegou a hora de organizar uma nova direção para a categoria.