pv

AS DESIGUALDADES QUE AS MULHERES SOFREM NO BANCO DO BRASIL!

Por Patrícia Vale, delegada sindical do Complexo Andaraí-RJ e da equipe do mandato da Juliana Donato no CAREF do Banco do Brasil

 

O Banco do Brasil, na última semana, reconheceu que, quando se trata de igualdade de gênero, tem a pior realidade do sistema financeiro. Ele apresentou dados que mostram o que vemos nos nossos locais de trabalho: quanto maior o nível das comissões, menor a presença das mulheres.

O BB é composto por 41,4% de mulheres, mas nas funções gerenciais só encontramos 35% de mulheres, caindo para 17,7% entre gerentes gerais e equivalentes. Quando consideramos as funções de comando (presidente, vice-presidentes, diretores, gerentes executivos e superintendentes estaduais e regionais), vemos que menos de 12% são ocupadas por mulheres.

Diante da atual conjuntura de fortalecimento das lutas e da organização das mulheres e às vésperas do Dia Internacional das Mulheres (8 de março), o BB faz mea-culpa e tenta mostrar que está preocupado e atento às questões das mulheres.

No dia 08/07 do ano passado, tivemos a reunião de uma Comissão de Mulheres com o presidente Caffarelli e o então vice-presidente de varejo e gestão de pessoas, Paulo Ricci, para tratar especificamente das questões das mulheres no BB. A reunião foi iniciativa do mandato da Juliana Donato no CAREF e fizemos questão de convidar outras funcionárias, de vários estados e de diferentes níveis hierárquicos dentro da empresa, para que pudéssemos expressar melhor a situação da mulher dentro do banco.

Durante a reunião, levantamos muitas das situações machistas enfrentadas pelas mulheres no BB e saímos com um compromisso do presidente do banco de se dedicar ao tema e de que nossas contribuições, relativas aos problemas e soluções, seriam levadas adiante. No entanto, apesar da preocupação demonstrada naquela reunião e, agora, nas matérias da Agência de Notícias, não vemos a adoção de medidas reais, capazes de garantir igualdade e direitos para as mulheres dentro do banco.

As mulheres continuam enfrentando a discriminação nos processos seletivos, quando muito comumente são questionadas se pretendem ter filhos. Elas são as maiores vítimas do assédio moral e sexual, sem que haja por parte do banco medidas para combatê-los. Há vários casos de funcionárias que foram pressionadas a não utilizarem a prorrogação de 60 dias da licença maternidade, pois teriam a sua ascensão profissional comprometida. Infelizmente, não vemos no BB uma política de gestão de pessoas que tenha intenção de combater e reprimir estas situações. Ao contrário, vemos uma gestão de pessoas totalmente subordinada à gestão das metas e resultados.

As reestruturações desestruturam a vida dos funcionários e atingem, principalmente, as mulheres. Elas, devido à maior responsabilidade familiar que lhes é dada, têm menor disponibilidade para transferência de estado ou região e, por isso, sofrem mais o impacto do descomissionamento e da perda de localização. A atual reestruturação, que acabou com centenas de agências e milhares de comissões no país, mostra a total falta de respeito do BB com seus funcionários, em especial com as mulheres.

Precisamos avançar na organização das mulheres do BB para avançarmos também nos nossos direitos dentro do banco. Só com verdadeira pressão das mulheres, o BB tomará medidas que avancem na igualdade de gênero de forma real e sem retroceder.

 

Participe do 8 de Março na sua cidade!

Este 8 de março, Dia Internacional da Mulher, será histórico! Mulheres de mais de 40 países estão convocando uma greve internacional para marcar a data. A inspiração surgiu da greve feita por mulheres polonesas, em outubro do ano passado, contra um projeto de lei que pretendia criminalizar o aborto em todos os casos, inclusive no de estupro. A greve teve grande adesão e as mulheres polonesas pararam por um dia inteiro. O resultado foi que o parlamento polonês rejeitou o projeto de lei que atacava o direito das mulheres.

No mesmo mês, mulheres argentinas, fizeram também uma forte greve após vários casos de feminicídio no país. A partir desses dois eventos, a luta e a organização das mulheres se fortaleceu em muitos lugares do mundo, inclusive no Brasil, ganhando um perfil internacionalista.

No Brasil, haverá atos e atividade em muitas cidades neste 8 de março, com adesão à greve internacional. Estão sendo propostas muitas formas de adesão a este movimento, como parar o dia todo, parar uma parte do dia, parar o trabalho doméstico, vestir uma peça de roupa lilás. Alguns estados definiram a hora M, de 12:30 às 13:30, enquanto uma proposta para que todas as mulheres tentem parar ao menos neste horário.

Além da luta contra a violência e contra toda desigualdade que as mulheres enfrentam no trabalho, nas ruas e em casa, este ano as mulheres levantarão a bandeira da luta contra as medidas de ajuste fiscal do governo federal, sobretudo as Reformas da Previdência e Trabalhista. A Reforma da Previdência atingirá principalmente as mulheres, pois igualará a idade de aposentadoria e o tempo de contribuição com os homens.

Participe da greve, converse com as mulheres do seu local de trabalho, organize reuniões e rodas de conversa. Verifique as atividades e atos gerais que estão sendo organizados na sua cidade e participe. Na página do Facebook “8M Brasil” é possível encontrar informações sobre o 8 de março em várias cidades do país.